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ROAS alto e pouco lucro no e-commerce: o que analisar
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Uma campanha apresenta R$ 100 mil em receita atribuída para R$ 25 mil de mídia: ROAS de 4. Se os outros custos variáveis associados às mesmas vendas somam R$ 65 mil, restam R$ 10 mil após mídia, antes das despesas fixas.
Esse exemplo é fictício. Ele mostra por que um indicador positivo de publicidade não responde sozinho à pergunta do gestor de uma operação B2C: quanto essa aquisição deixa para sustentar o negócio?
Confira primeiro o que o painel chama de valor
Na leitura de receita, ROAS é receita atribuída dividida pelo gasto de mídia. O resultado pode ser expresso como múltiplo: R$ 4 atribuídos para cada R$ 1 gasto correspondem a ROAS 4.
Mas a coluna de valor de conversão de uma plataforma depende do valor enviado e de suas configurações. O Google Ads permite trabalhar com valores como receita ou margem; portanto, antes de interpretar o indicador, confirme o que está sendo informado. Valores de conversão no Google Ads.
Registre a fonte, a janela de atribuição, as ações consideradas e a base de receita. Receita bruta, receita líquida, pedido criado e pagamento confirmado não devem ser tratados como equivalentes.
Neste artigo, o ROAS usa receita atribuída. O exemplo numérico assume que essa receita foi conciliada com o mesmo conjunto de pedidos usado para calcular os custos. Fora dessa condição, a comparação precisará de ajustes.
O custo do produto é apenas parte da conta
O pedido pode envolver frete subsidiado, taxas de pagamento, embalagem, comissão de venda, devoluções e outros componentes. Quais entram e onde são descontados depende da base adotada pela empresa.
O Sebrae define margem de contribuição pela diferença entre vendas e custos e despesas variáveis. Essa contribuição participa da cobertura dos gastos fixos; não é automaticamente lucro líquido. Sebrae: margem de contribuição.
Se a receita usada já desconta determinada dedução, não desconte o mesmo item novamente. Devolução, desconto e tributo exigem tratamento consistente com os registros da operação e conferência da área financeira.
A análise de marketing deve explicitar essa base para discutir aquisição. Ela não substitui a apuração financeira da empresa.
Um exemplo completo, com o mesmo conjunto de vendas
Dados hipotéticos, sem valor de benchmark. A receita de R$ 100 mil abaixo já considera as deduções adotadas no exemplo. Nenhum componente dessas deduções volta a entrar na lista de custos.
| Componente | Valor hipotético |
|---|---|
| Receita líquida conciliada dos pedidos atribuídos | R$ 100.000 |
| Custo dos produtos vendidos | R$ 50.000 |
| Frete subsidiado | R$ 8.000 |
| Taxas de pagamento | R$ 4.000 |
| Embalagem e outros custos variáveis incluídos | R$ 3.000 |
| Total de custos variáveis antes da mídia | R$ 65.000 |
| Contribuição antes da mídia | R$ 35.000 |
| Gasto de mídia associado à base analisada | R$ 25.000 |
| Contribuição após mídia | R$ 10.000 |
O ROAS é 100.000 ÷ 25.000 = 4. A contribuição após mídia é 100.000 − 65.000 − 25.000 = R$ 10.000.
Nesse recorte gerencial, a mídia é subtraída separadamente para tornar a análise visível. Ainda faltam os gastos fixos e outros componentes necessários à apuração do resultado. Não é possível concluir que houve R$ 10 mil de lucro.
Se, com a mesma receita e gasto de mídia, os demais custos variáveis fossem R$ 80 mil, a contribuição após mídia seria negativa em R$ 5 mil. O ROAS continuaria 4. A diferença está na composição econômica das vendas, que o quociente de receita e mídia não mostra.
Não substitua o indicador por outra simplificação
ROAS continua útil para acompanhar retorno de mídia na base configurada. O problema é exigir que ele represente tudo: margem, aquisição de novos clientes, capacidade da operação e resultado financeiro.
Buscar apenas o maior ROAS também pode favorecer um recorte de vendas que já encontrava a marca. Isso precisa ser investigado nos dados, não presumido em toda campanha. Uma campanha com ROAS menor pode ter outra função, mas esse argumento não autoriza aceitar perdas sem critério.
Compare o objetivo da ação, a composição dos pedidos e a contribuição observada. Não conclua que toda aquisição de cliente novo justifica qualquer custo pela expectativa de recompra.
Separe cliente novo e recompra com uma regra identificável
Defina o que a operação considera cliente novo e como essa identificação é feita. Uma nova sessão ou um novo dispositivo não prova uma nova pessoa compradora.
Para analisar recompra, use os registros disponíveis da empresa e um horizonte definido. Receita futura esperada é hipótese; receita já observada é outra base. Se os dados não permitem distinguir, mantenha a limitação explícita.
Também evite somar diretamente receitas atribuídas por plataformas diferentes. Elas podem reivindicar crédito sobre a mesma venda. A conciliação com pedidos identificados ajuda a examinar sobreposição, sem presumir que toda atribuição represente vendas adicionais.
O que revisar antes de ampliar a mídia
Comece pela integridade do indicador: o valor informado corresponde à compra pretendida? Há duplicidade? As deduções e custos estão na mesma base? O período permite observar devoluções e conclusão das vendas?
Depois, examine o mix de produtos, condições promocionais, frete e percurso de compra. Uma campanha pode aumentar vendas de itens cuja contribuição difere do restante da operação.
O quadro de análise e conferência organiza essas perguntas. A ampliação do investimento deve considerar a contribuição e a capacidade de atendimento da empresa, com validação dos responsáveis pelos dados. Uma leitura isolada de ROAS não é critério suficiente.
Quadro de contribuição antes e depois da mídia
Recurso de análise de marketing. Dados fictícios; não representa benchmark, previsão ou recomendação de investimento. A base financeira deve ser conferida pela área responsável.
Dois cenários com o mesmo ROAS
| Medida | Cenário A hipotético | Cenário B hipotético |
|---|---|---|
| Receita líquida atribuída e conciliada | R$ 100.000 | R$ 100.000 |
| Outros custos variáveis da mesma base | R$ 65.000 | R$ 80.000 |
| Contribuição antes da mídia | R$ 35.000 | R$ 20.000 |
| Gasto de mídia | R$ 25.000 | R$ 25.000 |
| ROAS na base de receita usada | 4 | 4 |
| Contribuição após mídia | R$ 10.000 | −R$ 5.000 |
| Lucro líquido | Não calculado | Não calculado |
As diferenças de custos são premissas do exemplo. Não se conclui que aumentar mídia reproduzirá a mesma proporção de receita ou custo.
Fórmulas e condições
ROAS de receita = receita atribuída ÷ gasto de mídia.
Contribuição antes da mídia, neste recorte = receita líquida conciliada − custos e despesas variáveis incluídos, exceto mídia.
Contribuição após mídia = contribuição antes da mídia − gasto de mídia associado ao recorte.
Para calcular, use a mesma base de pedidos e explicite janela de atribuição e período dos custos. Se o gasto de mídia for zero, o ROAS não é calculável por essa fórmula. Se o valor enviado à plataforma representa margem ou outro valor, não o apresente como receita.
Checklist para a reunião
| Conferência | Quem pode fornecer a resposta | Efeito de uma divergência |
|---|---|---|
| A receita é bruta ou líquida? | Operação e financeiro | A base precisa ser reconciliada antes da comparação |
| Descontos e devoluções já foram deduzidos? | Operação e financeiro | Evitar subtração duplicada ou omissão |
| Os custos pertencem aos mesmos pedidos? | Financeiro e operação | Não comparar custos de toda a loja com receita de uma campanha isolada |
| O gasto inclui quais campanhas e período? | Marketing e agência | Declarar o recorte |
| Há sobreposição entre plataformas? | Responsável pela mensuração | Não somar atribuições sem deduplicação possível |
| O indicador distingue novos compradores? | Responsável pelos dados da operação | Não interpretar sessão nova como cliente novo |
| O período permite observar a conclusão das vendas? | Operação | Sinalizar base incompleta |
| Quais gastos ainda faltam para apurar lucro? | Financeiro | Não renomear contribuição como lucro |
Registro de decisão
Descreva o problema observado, a evidência, a hipótese sobre oferta ou aquisição e o responsável por investigá-la. Uma margem insuficiente pode exigir decisões fora do marketing. Não atribua à agência responsabilidade por alterar preço, operação ou política comercial sem definição de escopo.